quinta-feira, 20 de agosto de 2009

De Nilópolis (Moisés Neto)

Em Nilópolis, algo meio que ficava no ar... O que seria? Não sei ao certo quanto tempo ficava na varanda de casa, lá na rua Lúcio Tavares, pensando na vida. Tudo parecia mais simples e mesmo assim eu temia algo. A pizza nas quartas-feiras à noite na Antônio Cardoso Leal, na casa do Eduardo e o pensamento longe... Durante meses naquele lugar, nenhuma visita à Beija-Flor, nenhuma tarde na Praça Júlio de Abreu... Eu tinha tudo pra ser feliz, mas era tudo muito distante da realidade. Longe daquele quarteirão, esse mundo. Esse amontoado de gente esnobe e covarde. De certa forma, uma outra ilha. Depois dali, tanta coisa mudou. As velhas roupas ainda estão naquele armário, as velhas frases com as quais não fiz poemas. Um coração emoldurado na parede e a cozinha me chamando pra jantar. Uma vida simples, de casado ainda novo. Mas e a revolta? Não lembro bem em que ponto ela surgiu, só sei que somente hoje fui capaz de me lembrar de que um dia eu fui feliz... Não me interpretem mal! É claro que já tive outros instantes felizes, mas é que hoje me pergunto se não é hora de parar um pouco de lutar contra o que parece não ter mais jeito; se não é hora de me aposentar sem medalhas, mas com enxovais e constituir família. No fundo, eu sei a resposta... A resposta é não! Ainda há muito o que fazer, aparentemente não nasci para uma vida comum. Só me resta a curiosidade... Como teria sido afinal?

2 comentários:

  1. PQP !!!! orgulho de fazer parte desse blog. e contribuir com meus humildes textos que perto desse não são nada .. valeu !!!!

    ResponderExcluir
  2. Cara...bem nostalgico, lembranças de Nilopolis!!! belo texto!! creio que a essencia, se é que entendi, é relembrar os bons momentos passados, sem sentir falta ou se lamentar por o que não se vive mais hoje!!

    ResponderExcluir