sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Mico Preto (Moisés Neto / Isaac Ramos)

mico preto ardendo no asfalto,

de paixão em paixão,

de escracho em escracho

um esculacho na porta do bar

e a gente por lá

mendingando cigarros


eu nem sei como aconteceu

de repente, uma concha cortou meu pescoço

um osso falso pr'esse cão já faminto

eu agora nem sinto efeito de nada...


enxotado de um peito amargo

no qual o que bate é um conta-tostão

um prego, um saco,

um jardim desgraçado

de terras bandidas

nessa Terra do Nunca

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