Um gosto de cereja envenenada
No topo de um bolo de inveja
Eu vejo a velha foto emoldurada
E a fama que qualquer inúltil almeja
Quem sabe se um dia a gente
descobre mesmo que é operário?
Quem sabe se um dia eu morro
e alguém escreve 'jaz mais um otário"?
Tudo o que fica é o que se comprou
E se comprovou na nota fiscal
Quem você um dia subornou
Vai te delatar em algum jornal
Inveja, despeito e sombra
Inveja...
Inveja e folhas mortas na janela
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