terça-feira, 25 de agosto de 2009
Engodo (Moisés Neto)
Um dia, um passo em falso... e eu caí. Me estatelei no chão e me deparei com a realidade nua e crua, vendo todo o engodo de teu jogo. Um jogo de cartas marcadas no qual sempre tive o ás na mão e a competência, mas nunca ganhei. Não sei se sou vizinho das pessoas erradas, não sei se faltou chamar alguém de primo, não sei se faltou delatar alguém... Sinceramente não sei. Não sei mais medir o quanto de responsabilidade tenho nessa jornada toda. Só sei que a fúria aumenta, o desejo de acabar com tudo, explodir comigo mesmo e que os estilhaços acertem as veias pulsantes mais ingratas e ignóbeis. Quero a tempestade em teu copo d'água. Quero virar o tabuleiro e arrancar a sua manga com cartas roubadas, revelando assim o teu esquema. Nem mesmo a rainha poderá te salvar quando eu quiser me vingar de fato. Não vou deixar pedra sobre pedra. Vou esmagar conchas, cadernos e canetas. Os produtos de má fabricação que nos são destinados. Outro país? Outra cidade? Não... como eu disse antes, uma outra realidade. Nua e crua... Mas ainda temos tempo de mudar esse jogo. Ah, se temos...
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