terça-feira, 18 de agosto de 2009
Eu te amo - qual o gosto? (Moisés Neto)
Sim, e qual era o gosto? Qual o sabor daquela vida antiga, daquele tempo? Não sei ao certo se ainda lembra mas, em um dia chato exatamente como esse, fizemos mágica... O plano original e cômodo era sair em ponto e partir para casa e descansar. Daí surge um convite para uma esticada na Lapa e nós dois, tão jovens e audaciosos, sequer consideramos que temos que trabalhar no dia seguinte. Não fazemos novos planos e somente, com o desejo pela aventura como única certeza, varamos a noite sem ligar para nada, nem mesmo a hora. Cordão do Bola Preta e eu expulso da roda por não saber dançar, Pizzaria Guanabara e as suas caretas... Como eu ainda lembro? Ah, e eu declamando meus primeiros versos na ladeira e todos olhando? Que engraçado... E a gente nem se dava conta de como eram especiais aqueles momentos só por acreditar que seriam constantes, eternos. Os arcos viraram cenário de várias fotos que nunca foram reveladas ou, se foram, eu nunca vi. Na hora de irmos embora, o momento clássico na carta de amor que tantos conhecem: você já cansada e eu te carregando no colo pela Rio Branco. De instantes como esse, rolaram novos e frequentes encontros, novos sinais, como letras de músicas (Leve, Suspense, Eu preciso dizer que te amo e, acima de todas, Todo amor que houver nessa vida). Eu ainda quero a sorte desse amor tranquilo com sabor de fruta mordida... Mas, pelo amor de Deus, que sabor é (ou era) esse? Alguns dias depois um beijo roubado e novo impulso... Um agir sem pensar, sem pesar, sem reflexões. Depois a intensidade, brigas, reconciliações, desconfiança, sexo, sintonia, encaixe, harmonia, poesia e novas brigas cada vez mais intensas, desrespeito, carinho, ausência, inconstância e o fim... Desse gosto eu lembro: amargo, salgado... como a lágrima rolando no meu rosto junto com a chuva quando descemos do 284 e, mesmo após eu cantar Exagerado, ouvir um 'não temos mais jeito'. Eu ainda lembro das sensações, mas qual o gosto dos dias felizes? Qual? Passo por Piedade algumas vezes e procuro em cada esquina algum vestígio de nós dois, mas não encontro. Nenhuma outra cigana lendo minha mão... Nenhuma proposta zen ou algo semelhante. E eu atrás só de uma resposta: qual o gosto?
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário