quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Resumo do sistema (Moisés Neto)

Por aí de mal com o mundo,
Com o peito sufocado...
Quem encara a ladeira
Sabe o peso do descaso

Despreparo de quem cuida,
Destempero de quem manda
Pro suspeito de nascença
É assim que toca a banda

Palavrão engatilhado,
Consequência não medida
Cada um com seu porém
Mas não cutuca a ferida!

Marginal ou vagabundo?
Nem aí pro preconceito
O ensinamento das vielas:
O medo gera respeito

Abandono à luz do dia
E a revolta reprimida
Pra cada possante que sobe,
Outra alma destruída

- Tem do preto, tem do branco
O comércio é liberado
Quem faliu cassino e banco
Fez ser certo o que era errado

E agora o que que vem?
Aparato social?
O show do Wagner Montes
Ou do Jornal Nacional...

O retrato mais fiel
Do cenário que disfarçam
Não tem luxo de hotel,
Por ali só poucos passam

Assistencialismo é besta?
Hipocrisia é o problema
Se a favela é violenta,
É o resumo do sistema...

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Galante Marginal: Uma nova faceta

Galante Marginal: Uma nova faceta: "Ando meio cansado do confronto, da luta... Ando cansado da guerra Não sei como será o dia de amanhã Mas sei que espero ser uma pessoa melhor..."

sábado, 16 de outubro de 2010

Nossas Impressões

Faz um bom tempo que não apareço por aqui, e quase sempre que apareci foi pra falar de sentimentos e devaneios com cara de adolescente, Hoje falo sobre algo mais sério, sobre nossas impressões...

ok, nunca falei sobre isso, mas pra tudo tem uma 1° vez, três anos se passaram e a três anos sinto que perdi minha vida, cansei da sua companhia! cansei desse amor pacato, três anos conhecendo amigos dos seus amigos, me decepcionando a cada concha quebrada, achada na beira da praia! três anos na mesma, vê se pode?! quero partir pro que me faz feliz, praia, samba, cerva na gandaia, muita paz, amor e noites com poesia na vila, lapa ou maxwel até de manhã!

Saudades eu tenho mesmo é da sinuca na 28, da conversa mole, da cerveja original que descia e como melhor combustível me fazia jogar até tarde e ganhar quase todas as partidas... Saudades da morena cacheada, tantas... que nesse coração calado, sempre teve terreno.
De tudo, a melhor lembrança é a do bom paladar que tinha ao degustar o bolinho de bacalhau no Juca, lá em Iraja...tempo bom, tempo que mesmo sozinho e duro, era feliz sem nenhuma resignação...Todos os dias escuto a correria da cidade, que arde no derramar de cada vida desperdiçada, e pergunto sem parar, aonde derramei esse copo?

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Espectros...

Voltava de Quintino ainda sem saber o que fazer de minha vida. Logo eu, especialista em críticas e posições radicais, perdido em meio ao trânsito caótico dos que vêm ou vão de/pra Madureira. Cascadura logo ali e algumas lembranças, pois não estava pra saudade, mas sim pra puxar angústia. Eta brincadeira perigosa; eta mundo pequeno. Tão pequeno que fez você esbarrar em mim em plena faixa de pedestres... Incrível, né? Te procuro faz tempos e de repente, quando menos esperava, eis que surge você, cada vez mais linda e radiante. Seu sorriso, como sempre, afastou pra bem longe a minha tristeza, o meu medo. Suas palavras invadiram meus ouvidos e me acalmaram. Conversamos um pouco no Amigão, te deixei em casa e nos beijamos. Talvez pela última vez nesta vida, talvez por outra primeira vez. Vai saber... Só sei que ao te rever fiquei em dúvida: era realmente você quem eu procurava ou era por quem eu havia sido quando estava ao teu lado? Só sei que, se éramos espectros, ao menos no dia 29 de setembro de 2010 voltamos a ser aqueles...

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Porra Nenhuma (Moisés Neto)

* eu cheguei a crer que não iria mais escrever aqui por estar em outro momento, mas é impossível não se indignar...

E nada muda...
Até de madrugada, a limitação me persegue, tenta me agarrar e empurrar goela abaixo os ditos 'erros'. Tenho um grave defeito mesmo, sabem? Em uma empresa de distribuição de combustíveis, eu trabalho para que o produto chegue ao cliente, mas isso não cabe aqui. NÃO... Para tal, é preciso enfrentar toda uma burrocracia inútil e inexplicável e essa cultura se espalha de forma assustadora, seja pelos que chegam ou pelos que já chafurdam na lama há tempos. Vão chover perguntas sobre o que ocorreu, mas não vou responder pois envolve gente que até pouco tempo atrás eu via, se não com carinho e amizade, ao menos com respeito. EU QUERO MAIS É QUE TUDO SE FODA E QUE ESSE SONHO DE MULTINACIONAL DE MERDA CONSUMA ATÉ MESMO A ALMA DE QUEM QUER QUE SEJA QUE AINDA PERDE TEMPO COM ESSA ILUSÃO. Procedimentos? Regras? Normas? Regulamentações? Cuspo em toda essa merda pois com o tempo que levam para decorar essa babaquice eu construo uma nova realidade e descanso não no sétimo dia, mas no quarto, quinto e sexto também. Mas alguém questiona algo? PORRA NENHUMA! Todos aceitam calados pois desta forma um funcionário como eu pode ser comparado à essas merdas que eles tanto citam como exemplo... Piracicaba? INFERNO! É isto que está reservado pra essa corja e, se já estava mais pra lá do que pra cá nesse navio, hoje já tô pegando o meu bote salva-vidas e sabotando todos os demais pois é preciso sacrificar algo para se passar uma mensagem. Só o choque ensina, ao que parece. Eu sou só o cobrador, ok? Essa porra já estava toda traçada desde antes de nós nascermos... Mas pra quem eu digo isso? Quem se importa? Eu mesmo já nem sei mais... Que tal irmos todos pra puta-que-NOS-pariu e cobrar a nossa herança?

Será que um dia ainda aceitarei a limitação como uma opção de vida?
Será que um dia aceitarei o termo 'vendido' como apenas uma brincadeira ou uma provocação?
Será que um dia não vou mais reagir contra o que eu acho errado?

PORRA NENHUMA !!!!!!!!!

terça-feira, 20 de julho de 2010

Fábrica do Caos (Moisés Neto)

Não soa bem toda essa indiferença,
Esse descaso com o qual tratam nossa rispidez
Nossa omissão já não tem mais sentido
Já que não temos compostura e nem lucidez

Vamos jogar os velhos livros fora,
Vamos arcar com nossas decisões,
Aceitar a paga imunda que nos for imposta
Mesmo que os impostores sejam só ladrões

Pintar de novo as caras e tomar as ruas
Talvez fosse legal pra outros imbecis
Pra gente bastam só alguns porretes
E algumas sobras de sonhos febris

Um modo novo de encarar as coisas,
Um horizonte, alguma direção
Que fosse oposta à essa atrocidade
Que 'Eles' pregam na televisão

Por que agora enfim contam com a gente?
Por que esperam por Revolução?
Por que agora somos necessários?
Por que não buscam em si a solução?

Agora nada se baseia em regras
Que cada um procure o seu lugar
Não faz sentido algum lutar por nada
Se novas 'vítimas' irão chegar

Da corja que não ouviu as profecias
À leva de assassinos e covardes:
Estamos todos ocupados rindo
Do medo que se entranha nas cidades

Não tem nem Nova Ordem, Nova Era,
Só casos de abandono, nada mais
Nem mesmo as velhas hóstias de mentira
Só sangue estampado em capas de jornais