terça-feira, 20 de julho de 2010

Fábrica do Caos (Moisés Neto)

Não soa bem toda essa indiferença,
Esse descaso com o qual tratam nossa rispidez
Nossa omissão já não tem mais sentido
Já que não temos compostura e nem lucidez

Vamos jogar os velhos livros fora,
Vamos arcar com nossas decisões,
Aceitar a paga imunda que nos for imposta
Mesmo que os impostores sejam só ladrões

Pintar de novo as caras e tomar as ruas
Talvez fosse legal pra outros imbecis
Pra gente bastam só alguns porretes
E algumas sobras de sonhos febris

Um modo novo de encarar as coisas,
Um horizonte, alguma direção
Que fosse oposta à essa atrocidade
Que 'Eles' pregam na televisão

Por que agora enfim contam com a gente?
Por que esperam por Revolução?
Por que agora somos necessários?
Por que não buscam em si a solução?

Agora nada se baseia em regras
Que cada um procure o seu lugar
Não faz sentido algum lutar por nada
Se novas 'vítimas' irão chegar

Da corja que não ouviu as profecias
À leva de assassinos e covardes:
Estamos todos ocupados rindo
Do medo que se entranha nas cidades

Não tem nem Nova Ordem, Nova Era,
Só casos de abandono, nada mais
Nem mesmo as velhas hóstias de mentira
Só sangue estampado em capas de jornais

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