Amigos,
ao longo do tempo, percebi que a vida segue um rumo traçado não por nós, mas por um modelo de sistema precário, ilusório e falido que nos leva a crer que a felicidade se resume a consumo, status, mesuras e interpretações. Sendo assim, somos todos atores de uma peça sobre decadência moral e ética. Não busco, com isso, ser interpretado como um revoltado com uma coisa da qual faço parte. Quer dizer, querendo ou não, todos fazemos.
Não vou negar que já me iludi com algumas ideologias utópicas e completamente inviáveis. Creio até que quase todos conheçam minha posição política. Porém, esquecendo de todos os preceitos e de todo ufanismo imbecilizado e me desarmando de toda a estrutura bélica de minha metralhadora giratória (mais conhecida como palavra), venho dizer que é importante refletirmos sobre o que podemos fazer para mudar nossas próprias vidas pois é impossível alcançar uma grande mudança externa sem que visitemos nosso próprio interior.
Hoje, vemos um mundo contraditório. Enqüanto pais só têm tempo para projetos pessoais e trabalho, seus filhos crescem sem sua influência ou presença e assassinam colegas em escolas, universidades ou conversas em mesa de bar com as mais esfarrapadas desculpas de preconceito, divergências esportivas, religiosas ou sociais, abandono, desilusão e depressão. - Ah, a depressão! A depressão é a maior herança deixada pela tão aclamada Globalização! Um brinde à nossa própria estupidez... Irônico, melodramático? Quem sou eu, minha gente?
De tudo o que herdamos do Capitalismo, com seus prós e contras, nada é mais sintomático do que a desconfiança, a competitividade e o individualismo. Não que a competição represente algo a ser banido. Muito pelo contrário! Porém, quando deixamos que isso supere o respeito ao próximo, passa a ser um grande perigo. Isso até mesmo para nossos relacionamentos mais íntimos. Aliás, a intimidade ainda existe? As vezes, parece que tudo não passa de uma jogada de marketing. Idéias vendidas e aceitas por uma sociedade hipócrita que já nem percebe que perdeu o rumo e considera tudo normal até que não seja atingida. Viva o Neo-Liberalismo...
O papa usa uma suástica insandecida no peito, o presidente norte-americano anterior, provavelmente, coleciona pôsteres de Belzebú em seu quarto maquinado pela influência ariana de Hittler... Enquanto isso, no extremo da humanidade, loucos são profetas messiânicos. Até Cristo, contra a sua vontade, tornou-se protagonista de histórias cabeludas, não é? Afinal, o filho de Deus dormiu ou não com a agora-ex-prostituta? Vai saber... Da Vinci sabia. Ou será o Dan Brow?
Perdi o foco? Não... é tudo interligado e nem se notam as diferenças e semelhanças.
Por exemplo, somos regidos por um governo de um partido que sempre lutou contra tudo o que faz atualmente. Mas e essa surpresa? Esse sentimento de desilusão e decepção? Ninguém mandou transformar o PT em religião... Não é querendo defender Dirceu e seus dicípulos, mas os caras se depararam com algo que nunca tiveram oportunidade de alcançar: o poder. Só que, não só no Brasil, mas em quase todo o mundo, o poder tem seu preço, seus efeitos colaterais e um deles é o de aprender a jogar. Resta a dúvida: eles aprenderam a jogar ou desistiram de mudar o jogo? Só sei que vamos pelo mesmo caminho. Enquanto fazemos passeatas por paz, nossos amigos são mortos por balas perdidas, nossas mulheres são violentadas, os negros, os gays e os jovens são torturados e humilhados. Opressão social... Nosso novo reflexo sintomático...
Pensando bem: por que estou escrevendo isso se não tem quem concorde? Como diria o nosso querido Arnaldo Jabour, somos protagonistas de uma trama "Porno-política". Afinal, se nossa seleção se classificar para a Copa, o Flamengo não for rebaixado e o Carnaval não acabar, estamos bem, não é?
Pão e circo para o povo!!!!!!!!!!!!
p.s.: este é um protesto silencioso, porém legível, de alguém que cansou de dizer: "Tudo bem!"
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